CCJ recebe programação ‘África em Nós: Memórias e Culturas Africanas’

Reprodução do site Catraca Livre por 

 

No mês de junho, o projeto Terça Afro aborda o tema da herança africano que é de África dentro de nós , em formas de relações, posicionamento da comunidade negra e  algumas culturas do território africano. Dessa forma a temática aborda desde a musica moderna a cultura tradicional, ancestralidade e diáspora. Convidamos a todos para uma participação a partir de cheiros, poesia, corporeidade e ritmos.

Ba Kimbuta

O artista se identifica com a luta e mergulha de corpo e alma no movimento hip-hop, e logo funda a banda Uafro, onde atua como vocalista e compositor. Na sua história de resistência mantêm sua ancestralidade como foco de emancipação do povo negro e, vem levantar as questões de como o negro vem se afirmando e se (re)conhecendo através da musica numa troca de ideia sobre o Rap e o Afrocentrismo nessa construção.Dia 03/06 às 19h no CCJ.

divulgação

Kiusam de Oliveira

Escritora, Doutora em Educação e Mestre em Psicologia pela Universidade de São Paulo. Especialista em Educação Especial. Arte-educadora – bailarina, coreógrafa e contadora de histórias.

“Entre a cabaça e a água: A energia feminina na corporeidade ancestral africana”
Uma reflexão sobre os efeitos da literatura em suas diversas formas e estilos nas vidas de crianças, jovens e adultos é um caminho fértil para compreender comportamentos frente a diversidade. O intuito desta atividade é compartilhar mitos iorubanos e pensar na presença feminina e posturas focando na construção de identidades negras. O corpo é meio e fim para que tais conhecimentos sejam apreendidos e para que a corporeidade negra ganhe contorno, destaque e aflore. Dia 10, às 19h, no CCJ.

Michel Yakini

Escritor, arte-educador e produtor cultural. Publicou “Acorde um verso”. Co-fundador do Coletivo Literário Sarau Elo da Corrente e atuante no movimento de literatura das periferias de São Paulo, representante Regional da Fundação Cultural Palmares em SP e colunista do Jornal Brasil de Fato (versão online).  O autor traz literatura como forma de afirmação de identidade negra em suas mais diferentes dimensões. Para este encontro, tornaremos possível ao público não apenas dialogar com esta importante figura do atual cenário cultural de São Paulo, bem como também a chance de compartilharmos com ele da oficina “cheiro das palavras”, levando-nos por um caminho que vise explorar nossos sentidos. Dia 18, às 19h, no CCJ.

Ballet Afro Koteban

O grupo apresentará em uma conversa musicada o trabalho de pesquisa do Ballet Afro Koteban que tem como foco a religação com a cultura africana a partir do povo Mandingue, proporcionando uma leitura real desse povo e de sua cultura.

A cultura Mandingue, que serve de referência para o Koteban, se refere a cinco países: Guiné, Mali, Senegal, Burquina Faso, Costa do Marfim. Dia 24, às 19h, no CCJ.

 

Um pouco de etnomusicologia

Gerhard Kubik realizou um grande volume de trabalhos tendo a  música africana como tema assim como suas características cognitivas. Procurou saber como os músicos entendem as próprias produções sonoras.

Em  1984 analisou sistematicamente a cultura musical africana. O resultado um trabalho que resume seus aprofundamentos na África e que expande todos os estudos do gênero já realizados,  Kubik enumerou doze critérios que lhe pareciam efetivos para uma concepção de estruturas sonoras e de movimento dos procedimentos cognitivos, musicais e performáticos das culturas africanas.

Kubik

Kubik ao Centro com músicos africanos Donald Kachamba e Moya Aliya. Photo : M. Hillegeist

Kubik também chegou a conclusões interessantes durante suas três viagens de investigação no Brasil aproveitando as referências que trouxera da África.  Este etnólogo passou a analisar e anotar determinados padrões musicais produzidos por instrumentos de batuque (quinjengue, tambu, matraca, guaiá) a partir de um  filme que assistiu.  Concluiu que entre os elementos que denotavam uma matriz africana estava o conceito do toque de tambor não apenas como marcação de ritmo,  mas de seqüências “timbre-melódicas”.  Outro importante achado de Kubik no Brasil foi, sem dúvida, a existência de padrões assimétricos, os chamados time-line-pattern de origem africana, que se preservam com notável força criativa e inovadora, e, simultaneamente, se mantêm no Brasil com grande estabilidade, mesmo que histórica e geograficamente distante de África.

GERHARD KUBIK é músico, professor de Antropologia Cultural na Universidade de Viena, pesquisador de música africana e autor de Extensionen Afrikanischer Kulturen in Brasilien (Alano).

Um dos mais característicos destes time-line-pattern é representado pela linha rítmica do samba, executado no tamborim. Os time-line-pattern são responsáveis por uma variedade de repertórios de música brasileira e funcionam como orientação para as demais partes da música na sua linha temporal.  Além disso manifestam relações históricas, confirmando, por exemplo, a origem bantu do samba de roda, ou a origem iorubá e/ou fon do candomblé gege-nagô.  Assim  de forma similar à etnolinguística, o estudo aprofundado da música, como realizado nas pesquisas de Kubik, também serve de suporte científico à reconstrução da história das culturas africanas no Brasil.

Time-line-pattern:  padrão rítmico de configuração assimétrica, que funciona como “cerne estrutural” da música.  Time-line-patterns são fórmulas estáveis, produzidas em um tom apenas, de timbre agudo, e servem de orientação aos demais músicos e aos dançarinos.

Uma das acepções de pattern na música africana, como “a mais longa seqüência consecutivamente repetida” na definição de James Koetting, também vale para fórmulas rítmicas nos mais variados conjuntos afro-brasileiros, assim como para o toque de berimbau.

Resumo do artigo de Tiago de Oliveira Pinto Som e música. Questões de uma Antropologia Sonora

Contos Infantis, identidade em construção

Se assim como eu, você também nunca ou quase nunca pôde se ver e se identificar com os contos infantis por ser uma criança negra, vc pode conhecer um  rico e lindo livro bem  Aqui.

www.leiabrasil.org.br-pdf-Princesas Africanas_bx.pdf

O livro Princesas Africanas, que traz histórias de heroínas africanas. A obra é composta por contos assinados por vários autores.

Inspirada no post anterior de Ana Andreotti, resolvi por no “papel” este outro sobre um assunto que já permeava meus pensamentos:

Ainda hoje é difícil encontrar contos infantis que tenham referenciais identitários para crianças afro-brasileiras.

afro

   

Produzir mais livros como o citado  acima  é algo que age diretamente no resgate e salvaguarda de uma identidade afro-descendente e na  criação de um público leitor, que sendo composto por crianças, passa a ter através dos contos referências de sua cultura e de personagens que atuam diretamente na valorização de sua etnia costumes e história.

É essencial que as instituições culturais e educacionais deem a devida atenção para a necessidade de  construção de um leitor negro, não exclusivo de histórias afro-brasileiras, mas que aprenda desde a infância a relacionar o conteúdo de um livro ao seu dia-a-dia.  É algo fundamental para operar a mudança no quadro estatístico de defasagem educacional  entre a população afro-brasileira, pois a capacidade de leitura é pilar  essencial  para desenvolver novos patamares intelectuais, culturais e profissionais.

O que você sabe sobre a Africa?

To YouImage

“To sit and dream, to sit and read,
To sit and learn about the world
Outside our world of here and now – 
Our problem world – 
To dream of vast horizons of the soul
Through dreams made whole,
Unfettered free – help me!
All you who are dreamers, too,
Help me make our world anew
I reach out my hands to you.”  (Langston Hughes)

 

Se assim como eu, você também aprendeu nada ou quase nada sobre história da Africa na escola, tampouco na faculdade, a UNESCO disponibiliza aqui: 

http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/single-view/news/general_history_of_africa_collection_in_portuguese-1/#.UlBxFoakjQo

para download gratuito (em pdf) uma coleção em oito volumes, traduzidos para a língua portuguesa, sobre o desenvolvimento histórico dos povos africanos. Explore! 

Culinária Africana e Afro-Brasileira

comida típica da africa2

A comida africana reflete as tradições nativas da África, assim como influências árabes, europeias e asiáticas. O continente africano é a segunda maior massa de terra do planeta e berço de milhares de tribos, etnias e grupos sociais. Essa diversidade reflete-se na cozinha africana, no uso de ingredientes básicos assim como na preparação e técnicas culinárias.

Muitos colonizadores passavam pela África devido às rotas marítimas que ligavam o Oriente ao Ocidente. Sendo assim, a comida típica da África recebeu influência de diversas partes do mundo, além da própria cultura dos nativos. Sua culinária se tornou uma fonte de ingredientes para diversos países do mundo.

Os escravos sul-africanos por exemplo, que retornavam da Inglaterra, ensinavam o que aprenderam, assim como os africanos que viviam no oriente no período medieval. Existem também pratos exóticos, como o grilo frito.

O Bobotie é um prato feito com cozido de carne moída, leite, castanhas, pão, cebola, damascos, passas, curry (tempero forte). Essa é a comida típica preferida de Nelson Mandela.

Normalmente, a maioria dos trabalhos relacionados à alimentação na África, são obrigações das mulheres. Desde a    “plantação” ou “shambas” (como são chamados os campos de plantio), passando pela capina, plantio e colheita, até as atividades que incluem cozinhar e servir alimentos.

Mas em algumas regiões, a mulher fica encarregada dos pratos doces, enquanto o homem prepara a carne. Tradicionalmente, a cozinha na áfrica fica pro lado de fora da casa, ou em uma construção separada dos quartos e salas.

Até hoje, a comida mais típica na África encontrada na casa do nativo. São carnes com vegetais, fortemente temperadas em uma larga panela preta. A panela normalmente fica em cima de três pedras dispostas em triângulo, e o fogo consome lentamente três pedaços de madeira para cozinhar os alimentos.

download

 Elementos tradicionais da comida africana

Há diferenças significativas nas técnicas culinárias e nos hábitos de comer e beber do continente entre as regiões norte, leste, oeste, sul e central. Porém, em quase todas as culturas africanas, a culinária usa uma combinação de frutas disponíveis localmente, grãos, vegetais, leite e carne. Em algumas partes da África, a comida tradicional tem predominância de leite, coalhada e soro de leite. Entretanto, em boa parte da África tropical, o leite de vaca é raro.

Vegetais na culinária africana

Vegetais ocupam um papel importante na culinária africana, sendo a principal fonte de vitaminas e fazendo parte de vários pratos constituídos de milho, mandioca, inhame e feijão. Esses vegetais também fornecem fonte secundária de proteínas. Em geral, folhas verdes e hastes jovens são coletadas, lavadas, cortadas e preparadas no vapor ou  fervidas em combinação com especiarias e outros vegetais como cebola e tomate.

A maioria dos vegetais mais importantes na comida africana tem origem fora da África. Milho, feijão, mandioca e abóbora são originários das Américas e foram introduzidos na África pelos europeus no século 16. A maior parte dos vegetais verdes africanos são resistentes à seca. A comida africana tradicional provê uma dieta variada geralmente rica em vitaminas e sais minerais, incluindo vitamina A, ferro e cálcio.

pudim-de-tapioca1

Comida afro-brasileira

Por volta do século 16 a alimentação cotidiana na África, que foi incorporada à comida brasileira pelos escravos, incluía arroz, feijão, sorgo, milho e cuscuz. A carne era predominante de caça (antílopes, gazelas, búfalos e aves). Os alimentos eram preparados assados, tostados ou cozidos. Como tempero utilizava-se pimentas e óleos vegetais como o  azeite de dendê.

A alimentação dos escravos nas propriedades ricas incluía canjica, feijão-preto, toucinho, carne-seca, laranjas, bananas, farinha de mandioca e o que conseguisse pescar e caçar; e nas pobres era de farinha, laranja e banana. Os temperos utilizados na comida eram o açafrão, o óleo de dendê e o leite de coco. O cuscuz já era conhecido na África antes da chegada dos portugueses ao Brasil, e tem origem no norte da África, entre os berberes. No Brasil, o cuscuz é consumido doce, feito com leite e leite de coco, a não ser o cuscuz paulista, consumido com ovos cozidos, cebola, alho, cheiro-verde e outros legumes. O leite de coco é usado para regar peixes, mariscos, arroz de coco, cuscuz, mungunzá e outras iguarias.

Os Deuses Africanos que vieram para o Brasil

Image

O Candomblé é uma religião brasileira de origem Africana, ligada à tradição Iorubá. A cultura Iorubá está presente em diversos povos da africa ocidental, principalmente na Nigéria. As entidades cultuadas pelos iorubás são chamadas de irunmole e representam ancestrais desses povos que foram mitificados. No Brasil essas entidades são chamadas de Orixás. Cada tribo ou comunidade cultua uma entidade que está ligada a seu ancestral fundador, de forma que cada membro é consagrada a ele ao nascer.

No longo período em que o Brasil foi uma sociedade escravocrata, muitos dos negros sequestrados de países da tradição ioruba trazidos para cá eram sacerdotes e príncipes, portanto, tinham conhecimento dos rituais e dos elementos sagrados. Aqui, aqueles que pertenciam a mesma etnia eram separados, pois os senhores de escravos temiam que se fossem mantidos juntos, teriam mais força e poder para se rebelar. Assim, os membros de diferentes etnias misturadas nas senzalas passaram a cultuar cada um a entidade a qual pertencia em conjunto com os demais, de maneira a preservar tanto quanto possível suas origens e tradições. Dessa combinação nasce o Candomblé

Image

 A pessoa que deseja se iniciar no Candomblé precisa saber a qual Orixá ela “pertence”. A identificação com um Orixá é fundamental, pois é a partir dela que o indivíduo saberá quais são suas obrigações e restrições habituais. Essa identificação é uma das tarefas do Babalorixá (pai de santo) ou Yalorixá (mãe de santo), que são os sacerdotes mais importantes na hierarquia dessa religião. A maior parte dos elementos e rituais sagrados tem seus significados revelados somente àqueles que são iniciados, fazendo com que essa seja uma religião fechada e misteriosa para os não-iniciados, o que pode ser uma das causas do preconceito e da discriminação sofrida por seus membros.

 Os ritos do Candomblé ocorrem em um terreiro que é um espaço sagrado. Parte dos rituais, como o sacrifício de animais e sua oferta aos Orixás, é feita em lugar reservado somente para os iniciados e aptos a realiza-los. Nas cerimonias abertas ao público não-iniciado, predominam as danças e músicas dedicadas aos Orixás. Os membros que participam dessas cerimonias representam seus Orixás em suas vestes, nas cores e nos movimentos.

Image

 Os atabaques (instrumentos de percussão) utilizados são chamados de rum, rumpi e lé. Eles também são entidades sagradas, pois acredita-se que é através do som que eles produzem que são invocados os Orixás.

Image

 As fotos que acompanham esse post foram tiradas na roça Ilê Axé Efon Odé Akueran, em Santo André – SP, durante uma cerimonia de homenagem ao Caboclo, que é uma entidade brasileira que representa o ancestral indígena.

 Agradecimentos ao colega Fábio Donaire pelo convite!

Image

Danças Africanas

Members of the African youth dance troupe, Spirit of Uganda, perform during the Macy's Passport fashion show in Santa Monica
A origem e importância

A dança originou-se na África como parte essência da vida nas aldeias, ela acentua a unidade entre seus membros, por isso é quase sempre uma atividade grupal. Em sua maioria, todos os homens, mulheres e crianças participam da dança, batem palmas ou formam círculos em volta dos bailarinos. Em ocasiões importantes, danças de rituais podem ser realizadas por bailarinos profissionais. Todos os acontecimentos da vida africana são comemorados com dança, nascimento, mortem plantio ou colheita; ela é a parte mais importante das festas realizadas para agradecer aos deuses uma colheita farta. As danças africanas variam muito de região para região, mais a maioria delas tem certas características em comum. Os participantes geralmente dançam em filas ou em círculos, raramente dançam a sós ou em par. As danças chegam a apresentar algumas vezes até seis ritmos ao mesmo tempo e seus dançarinos podem usar máscaras ou enfeitar o corpo com tinta para tornar seus movimentos mais expressivos. As danças em Marrocos usam normalmente uma repetição e um constante crescimento da música e de movimentos, criando um efeito hipnótico no dançarino e no espectador. Entre elas destacam-se a Ahouach, Guedra, Gnawa e Schikatt.

As influências

Sabe-se que desde a invasão dos colonizadores, a partir do século XIV e XV em África, tudo sofreu alterações desde os nomes usados até à própria civilização isto devido à permanência dos colonos desde essa data até aos nossos dias, com a entrada de outras culturas. Agora aqui sublinho no que toca a dança que houve uma fusão entre os nossos ritmos tradicionais com a forma de dançar a par importada da sociedade européia, em que este tipo de dança era praticada nas cortes, nos salões nobres e da burguesia como por exemplo na contradança, valsa, mazurca, polca…, levadas não só pelos senhores como pelos seus criados e até por alguns escravos.

Ritmos
Ao ritmo do Semba, Funaná, Kuduro, Sakiss, Puita, Marrabenta, e outros sons da música folclórica, são dançadas em pequenas coreografias, trabalhando assim os movimentos da anca, o rebolar da bunda , e a facilidade de juntar a agilidade dos braços, pernas e cabeça, num só movimento culminando num trabalho de ritmo corporal.

Capoeira
A Capoeira é uma luta disfarçada em dança, criada pelos escravos trazidos da África nos navios negreiros para o Brasil.
Dentro das Senzalas após a mistura das culturas das diversas tribos africanas que aqui se encontraram, foi-se ao poucos somando o Ngolo que era um jogo de luta praticado nas tribos africanas, o qual o vencedor escolheria uma mulher da tribo a qual seria sua esposa; a ânsia de liberdade dos escravos que sofriam presos nas senzalas, trabalhando o dia todo ou apanhando e resultando na primeira forma de defesa dos escravos contra as maldades que sofriam o qual começaram a ocorrer as primeiras fugas dos negros e a fundação dos Quilombos.
Na época da escravidão toda cultura negra era reprimida, principalmente se tivesse uma conotação de luta, então para poder ser disfarçada a sua prática entre os negros, foi adicionado os instrumentos musicais que deram uma imagem de dança a Capoeira, com músicas que falam de Deuses africanos, Reis das tribos a qual vieram, fatos acontecidos na roda de Capoeira, acontecimentos e sofrimentos do dia-a-dia dos escravos e etc…!
Como ninguém tinha interesse sobre a cultura negra, ninguém notava que aquela simples dança, brincadeira e ritual era na verdade a luta marcial dos escravos, que se camuflava para poder permanecer ativa.

Schikatt

Dança erótica e popular das mulheres marroquinas. Muitos movimentos têm origem nas danças orientais. Foi de uma combinação da influência árabe com o folclore berbere que nasceu esta dança.  As dançarinas usam camadas de véus cobrindo o corpo, do pescoço ao tornozelo, e se enfeitam com muitas jóias; elas cantam, tocam instrumentos e batem palmas enquanto dançam. O schikatt tem um passo característico chamado rakza, quando a dançarina bate com os pés como na dança flamenca.

Gnawa
Cada ritmo tem muitos significados simbólicos que vão de poderes curativos ao exorcismo. Uma cor específica é usada para cada dança, invocando o espírito da cerimônia, Hadra, o qual é trazido à terra de um outro mundo etéreo. Dançarinos usam roupas brancas e chapéus pretos pesadamente enfeitados com conchas, contas, mágicos talismãs e amuletos. Em pé em linha ou círculo, os músicos mantêm o ritmo com tambores ou batendo palmas enquanto dançarinos executam danças acrobáticas.

  A dança Gnawa celebra um ritual da seita de Sufi.
Ússua
Dança de salão, de grande elegância (uma espécie de mazurca africana), em que os pares são conduzidos por um mestre de cerimônias, ao ritmo lento do tambor, do pito daxi (flauta) e da corneta. Todos os dançarinos envergam trajes tradicionais: as mulheres de saia e quimono, xale ou pano de manta; os homens trazem chapéus de palhinha e usam no braço uma toalha bordada (que serve para limpar o suor do rosto).
Dexa
Típica da ilha do Príncipe de raízes angolanas. Ao ritmo de um tambor e de uma corneta, diversos pares executam elegantes danças de roda. As letras são quase sempre humorísticas, ou mesmo de escárnio, e implicam uma réplica da parte do visado. A dexa é dançada durante horas inteiras, apenas com ligeiras modificações na sua toada musical.
Puita
Provavelmente com raízes angolanas, a puita é uma dança fortemente erótica, em que o tambor avança de forma frenética, obsessiva, sensual, pela noite dentro. Homens e mulheres formam filas indianas e, à mistura com alguns semi rodopios, fazem entrechocar os corpos de forma sexualmente explícita. Quando um parente deixa este mundo é da praxe executar-se, em dias de nozado, uma puita em sua homenagem. A falta de cumprimento a esse ritual pode ocasionar desventuras na família. Mas a puita é tocada em muitas outras ocasiões, sendo uma das formas de música mais populares em S. Tomé.
images
D´jambi
Parecido com a puita, mas encomendado com outros objetivos, o d’jambi é um ritual com poderes curativos, semelhante à macumba brasileira. Os curandeiros, ao dançarem, entram em transe, submetendo então o doente a práticas rituais onde são invocadas figuras sobrenaturais e estabelecidos contatos com espíritos de indivíduos falecidos. São também frequentes fenômenos de insensibilidade ao cansaço e à dor (dançada durante a noite inteira, caminhar sobre brasas, ferir o próprio corpo, etc.). As autoridades coloniais e religiosas tentaram sempre proibir os d’jambi devido às suas óbvias conotações com a feitiçaria e aos rituais animistas do continente africano.
Bligá
 Conhecido como o jogo do cacete: é um misto de dança e jogo lúdico, em que a destreza e o vigor físico do jogo do pau transmontano aliam-se a uma sofisticada corporalidade e gestualidade que fazem, por vezes, lembrar certas artes marciais orientais. O bligá (que significa brigar) foi certamente, uma das danças, que deu origem à capoeira. Esse estilo era usado pelos escravos, que o utilizavam como uma arte de autodefesa sem que as autoridades se apercebessem, os gestos são, a maior parte das vezes, mimados (transformando assim a ação em representação) em vez de serem executados explicitamente.
images (1)
Kuduro
Estilo de música e dança Angolana. Dança recreativa de exibição individual ou em grupo. Fusão da música batida, com estilos tipicamente africanos, criados e misturados por jovens Angolanos, entusiastas e impulsionadores do estilo musical, adaptando-se à forma de dançar, soltando a anca para os lados em dois tempos, sutilmente, caracterizando o movimento do bailonço duplo. A dança sul-africana denominada ” Xigumbaza “, que significa confusão, era dançada pelos escravos mineiros, enquanto trabalhavam mudos e surdos, só as vozes das botas se faziam ouvir como um canto de revolta, adaptando-se ao estilo musical Kuduro nasce, o Esquema ou Dança da Família. Dança da Família é dançada geral em grupos, exercitando o mesmo passo várias vezes em coreografia coordenada pelos participantes na dança. Dançada normalmente em festas ou em discotecas.